Stay High all the time…
Stay High all the time…
"Ohana means Family"
(via qualificadora)
[…] Naquele
ano a pequena garotinha, já estava próximo a completar 5 anos de idade, ela era
como qualquer criança de sua idade de rostinho suave e queixo suavemente fino,
nariz levemente arredondado e pequenino, de olhos redondos levemente
“puxadinhos” e castanhos, assim como seus cabelos cacheados e longos de cor
acobreada (castanho claro) porém com um leve toque dos traços e do
“temperamento” de sua mãe.
Ela já sabia falar bem e sabia também o que gostava ou não, uma garotinha muito
esperta para sua idade.
Seu gosto musical era de uma criança “claro”, porem pela influência de seus
pais ela não dispensava um bom Rock N'Roll as vezes, pois era basicamente o
estilo de música que eles mais ouviam em casa ou durante as viagens que faziam.
A pequenina gostava muito de histórias e quase todas as noites antes de dormir
queria ouvir uma delas, por algum motivo, suas histórias favoritas eram de seu
pai, pois ele sempre colocava emoção na hora de contar.
Uma certa noite antes de dormir, sua mãe havia colocado ela na cama e antes
deixa-la lá, ela disse:
- mamãe pede para o papai vir até aqui para me contar uma estória… não estou
com sono agora.
Sua mãe à cobriu e lhe deu um beijo na testa dizendo:
- Só um minuto vou chamar o papai, durma bem meu pequeno anjo você é tudo para
min, a melhor coisa que já me aconteceu em toda a vida.
Ela saiu do quarto deixando a porta levemente aberta e foi até a sala chama-lo,
onde ele estava juntando algumas coisas do trabalho que ele teria que resolver
na manhã seguinte.
Ela chegou em silêncio, atrás de sua poltrona onde ele estava sentado e pulou
em seu colo e rapidamente foi envolvida pelos seus braços, onde ela também com
suas mãos envolveu seu pescoço o beijando e dizendo com um sorriso:
-Nossa pequena garotinha está sem sono e requisita sua presença para mais uma
de suas estórias “rs”.
Ele terminou rapidamente suas coisas e dirigiu-se até o quarto, sua pequenina
estava sentada na cama e o aguardando, em seguida ele sentou- se do seu lado e
disse:
Vejamos, o que vou te contar hoje?
A garotinha disse:
- me conta como você conheceu a mamãe!
Ele ficou surpreso com o pedido de sua filha, em um rápido silêncio foi
lembrando de tudo o que haviam passado em todos aqueles anos, até aquele
momento.
E disse:
- Por onde começar? “Rs”
- Bom… eu e sua mãe nos conhecemos em um cursinho de estudos para conseguirmos
entrar em uma escola(Universidade) boa para estudarmos.
Ficamos alguns anos juntos namorando, porém construímos muitos sonhos juntos,
depois de algum tempo tivemos que ficar longe um do outro por um bom tempo,
pois a mamãe foi para uma cidade e o papai foi para outra, foi triste para mim
e para sua mãe pois nos amávamos muito, mas foi um momento onde cada um
precisava seguir seu caminho, tínhamos muitos sonhos juntos, nessa época também
descobri que sua mamãe queria muito casar-se comigo, mas eu achava que era
brincadeira dela, outro sonho nosso era sair do Brasil e construir nossa família
(nosso canto), como temos hoje.
Foram tempos difíceis, ficamos anos sem se falar e sem se ver, a mamãe e o
papai conheceu muitas pessoas diferentes e quase nos perdemos com tudo aquilo.
- E como vocês voltaram a se ver papai?
- Tanto o papai quanto a mamãe ainda nos amávamos.
Depois de muito tempo sem ter qualquer notícia um do outro, ela escreveu uma carta
dizendo como ela estava onde ela morava e o quão triste estava em estar longe,
eu fiquei surpreso com aquela carta sabe, porque fazia anos que não tinha
notícias dela… resumindo, na carta dizia que eu fui e sempre seria o único amor
da vida dela, que amamos somente uma vez na vida verdadeiramente… e o quanto
ela tentava se distrair… para não se lembrar de nós.
Depois disso vocês voltaram?
- Ainda não.
- O papai precisou ter muita paciência e devagar conquistar a mamãe novamente.
- E como o senhor conseguiu?
- Bom, primeiro escrevi várias vezes para ela, mesmo sem saber se ela leria
tudo aquilo, pois era a única maneira de falar com ela, estando longe.
Eu ficava muito feliz quando ficava sabendo que ela havia lido o que eu havia
escrito, sabe!
Mas
a mamãe era difícil, ela não expressava seus sentimentos com facilidade, assim
como ela faz com você,… pensei várias vezes em desistir naquela época, mas uma
coisa eu havia aprendido até aquele ano, que era seguir meu coração eu sentia
que ela ainda me amava, porque éramos muito felizes juntos.
Eu queria falar muita coisa para ela sabe, o quanto eu estava com saudades e
que não pensaria duas vezes em ir até lá e ficar com ela.
Mas ela não gostava de falar sobre os seus sentimentos.
Com o tempo, nossas conversas começaram a ficar mais frequentes, mas ainda não falávamos
de sentimentos de um pelo outro, mas sabíamos o que um significava para o outro.
Depois de muita insistência do papai, ela percebeu que fazíamos falta um para o
outro e que não poderíamos deixar aqueles nossos sonhos desaparecer.
Um dia o destino foi bondoso com a gente, e nos encontramos novamente, depois
de muitos anos, estávamos um pouco diferentes desde a última vez que nos vimos,
mas o sentimento de um pelo outro estava lá guardado dentro de cada um de nós.
O papai ficou muito nervoso com aquele encontro, pois não sabia como ela
reagiria,… e me perguntava: - será que ela ainda me amava ?
Nesse momento a pequena já estava envolvida com a história e
disse:
- E como foi!?, como foi!?
Nós olhamos nos olhos um do outro, e havia nervosismo nos olhos
dos dois, a mamãe tentou disfarçar desviando o olhar para o lado, mas o resto
do seu corpo à entregava.
Eu disse:
- oi
E ela respondeu:
-oi
E ficamos alguns segundos ali parados fitando um ao outro, sem saber o que
fazer.
Foi estranho e ao mesmo tempo foi bom sabe… esperei tanto tempo para aquele
momento acontecer e ali estávamos os dois novamente, muita coisa passava pela
minha cabeça, acho que na dela também.
Nesse momento a pequenina já estava meio sonolenta (igual sua mãe que dormia em qualquer lugar, “rs”). Mesmo assim continuei a contar a história…
Conversamos sobre alguns assuntos comuns como: como estão as
coisas e os estudos, trabalho e etc. tomando cuidado para não falar algo que
envolvesse os sentimentos ou nosso passado,… um medo bobo sabe filha dos dois,
mas ainda sim sabíamos que eles estavam ali só não dizíamos, principalmente eu,
pois achava que se eu dissesse tudo o que sentia, talvez à assustaria e ela
jamais falaria comigo de novo, foi uma conversa agradável e fez bem para os
dois (eu acho).
Depois de algum tempo continuamos a nos falar por mensagens, o ruim era que o
papai era muito ansioso e mal via a hora de conversar com ela novamente, mas a
mamãe sempre estava muito ocupada com os estudos e o trabalho, por isso não falávamos
muito.
A pequenina coçou os olhos e perguntou:
- mas papai em que momento vocês se beijão igual as histórias felizes? - Calma
filha já chego lá!
Sem ninguém saber o papai fez um prova para trabalhar na mesma
cidade e naquele mesmo ano eu havia passado e fui morar na mesma cidade que ela
morava.
Demorou um pouco para eu falar pra ela que estava morando na mesma cidade, pois
não saberia se isso seria bom ou não, mas contei, ela ficou feliz por ter
passado na prova e arrumado um bom emprego, mas não sabia se ficou feliz pelo
fato de estar perto dela agora.
- vocês adultos são bobos, disse a pequenina com os olhinhos fechadinhos.
Saímos algumas vezes para caminhar na orla da praia a noite, e todas as vezes era muito agradável as conversas, devagar começamos a nos ver com uma certa frequência pois a mamãe ficava muito ocupada pelo motivo de estar acabando os estudos na faculdade e fazendo estágio, eu complementei: -Por isso sua mãe é uma ótima veterinária hoje! Ela estudou muito para isso acontecer, esse era o maior sonho dela, cuidar do bixinhos, “rs”.
Uma noite dessas estávamos caminhando e conversando e acabamos chegando em um local onde a muito tempo não íamos, esse lugar tinha uma visão linda de toda a orla, se chamava “quebra mar”. Foi nesse lugar que demos o primeiro beijo depois de muito tempo.
Pensei comigo: – quem diria que o mundo depois de tantas voltas nos proporcionaria isso novamente, e pelo olhar dela naquele momento, talvez pensasse o mesmo.
Depois disso, dia após dia fomos alimentando todo aqueles sentimentos que tínhamos
um pelo outro, viajamos para vários lugares depois que a mamãe e eu terminamos
os estudos.
Pois esse era nossos sonhos, viajar para muitos lugares juntos, em uma dessas viagens fomos para Las Vegas e nos casamos de brincadeira, com um padre vestido de Elvis.
- me lembro como se fosse ontem. “Hahaha”
Mas depois disso voltamos e nos casamos de verdade, nossa amizade, nosso amor e companheirismos estava sempre presentes em nossas vidas.
Nisso a pequenina já havia dormido, e mal eu sabia que sua mãe estava atrás da porta ouvindo toda a história, e com os olhos cheios de lagrimas e sorrindo, veio até a cama e sentou-se do meu lado e disse:
- obrigado por não ter desistido de mim, de não ter desistido de nós, se somos uma família hoje e estamos onde estamos, foi porque cuidamos daquele amor verdadeiro dentro de nós, você sempre foi meu porto seguro.
Eu complementei dizendo:
- Quem ama cuida, quem ama espera, quem ama jamais desiste. - Se somos uma
família hoje é porque você acreditou no amor e acreditou que eu seria o seu
companheiro para o resto da vida. - Se tivéssemos nos perdido ou desistido,
hoje nossa pequenina não estaria aqui, nos trazendo tanta felicidade.
Muito obrigado por acreditar em mim, por acreditar que podíamos superar todos
os momentos difíceis juntos e que poderíamos ser diferentes um para outro.
Eu:
- Te amo.
Ela:
- Também Te amo… […]
"Tudo na vida para dar certo, depende da importância que se da para as coisas…"- 1986